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Depois de anos construindo sua reputação com um futebol defensivo e calculista, Didier Deschamps está dando um giro de 180 graus na seleção francesa. O treinador dos Bleus, conhecido por sua abordagem cautelosa mesmo com craques à disposição, resolveu soltar as rédeas do ataque para o próximo ciclo.
O movimento é significativo. Durante a Eurocopa 2024 e nas Eliminatórias para a Copa de 2026, Deschamps descartou o velho esquema com três meio-campistas, aquele que lhe rendeu duas finais de Copa do Mundo e um título. Com a aposentadoria de Antoine Griezmann, o técnico encontrou espaço para experimentar e amadurecer uma formação quase ofensiva: um 4-2-4 que coloca quatro atacantes simultaneamente em campo.
O ataque é de tirar o fôlego. Kylian Mbappé segue como protagonista absoluto, na função de centroavante moderno que flutua pelo campo em busca de espaços. Pela esquerda, Désiré Doucé vem como opção criativa — embora Hugo Ekitikié estivesse cotado para o cargo antes de sofrer lesão grave. A ofensividade francesa promete ser a mais agressiva de toda a era Deschamps.
Porém, história não é profecia. O próprio Deschamps já demonstrou ao longo de sua carreira que pragmatismo e adaptação são suas verdadeiras assinaturas. Caso os resultados não saiam conforme o esperado, não seria surpresa vê-lo retomar uma postura mais defensiva — aquela que lhe conquistou títulos.
Por enquanto, a França se prepara com uma fome ofensiva renovada. Mbappé tem tudo para explodir em números de gols, Doucé oferece criatividade na lateral, e o meio-campo reduzido a dois volantes garante velocidade nas transições. É uma revolução tática que reflete também a evolução do próprio futebol europeu, cada vez mais direto e agressivo.
A pergunta que fica é: essa audácia será suficiente para devolver a Copa do Mundo à França, ou Deschamps voltará ao seu confortável casulo defensivo?
Fonte: Trivela
