Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Lionel Messi é, sem dúvida, um dos maiores futebolistas de todos os tempos. Suas conquistas individuais e coletivas o colocam em um patamar raramente alcançado. Mas há algo que falta ao craque argentino, e talvez seja justamente isso que o impede de ser verdadeiramente completo como líder fora das quatro linhas.
A questão central é intrigante: se Messi tivesse a coragem política de se envolver em questões maiores do que o futebol, seria possível uma “Democracia Corinthiana” sob sua liderança? A resposta provavelmente seria não. E isso diz muito sobre quem ele é.
O capitão argentino possui duas faces bem definidas. De um lado, está o jogador incomparável, aquele que carrega a seleção nas costas, que faz o impossível parecer rotina, que define partidas com um toque de bola ou um lance de genialidade pura. Do outro lado, porém, há um homem notavelmente afastado de qualquer envolvimento político ou social mais profundo.
Essa postura de neutralidade, que muitos podem interpretar como virtude — afinal, permite que o foco reste integralmente no futebol — revela, na verdade, uma limitação importante. É a diferença entre ser um grande jogador e ser um grande líder em sentido amplo. Messi domina o campo como poucos, mas sua influência para além das linhas laterais permanece restrita ao universo do esporte.
Não se trata de crítica, mas de constatação. O argentino optou por um caminho específico: ser o melhor em sua profissão e deixar outros temas para outros. É uma escolha legítima, mas que revela certa incompletude quando comparada a líderes que transcendem seu ofício.
A trajetória de Messi seguirá sendo gloriosa, repleta de títulos e recordes. Porém, sempre haverá essa lacuna: a de um gigante do futebol que nunca alcançou o protagonismo político ou social que poderia tê-lo tornado uma figura ainda mais significativa para a história.
Fonte: Folha Esporte
