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A maratona virou sinônimo de superação e conquista pessoal — tanto que muita gente coloca os 42 quilômetros como projeto de vida. Mas especialistas em treinamento de corrida soam o alerta: essa obsessão pode ser prejudicial.
Treinadores experientes relatam casos cada vez mais frequentes de corredores que buscam desesperadamente disputar uma maratona, queimando etapas fundamentais do treinamento. A pressa em chegar à linha de largada, combinada com pressão psicológica, leva muitos atletas amadores a ignorar o bom senso e os protocolos consolidados de preparação física.
O problema vai além do risco de lesões. Quando a maratona se transforma em obsessão, o correr deixa de ser prazer e vira angústia. Atletas pulam fases essenciais da periodização, aumentam volume de treino sem progressão adequada e desconsideram sinais de sobrecarga do corpo.
“A maratona é uma prova formidável, mas não deve ser o destino final de todo corredor”, alertam profissionais da área. Há um percurso lógico e seguro: começar com distâncias menores, construir base aeróbica sólida, respeitar tempos de recuperação e, somente depois, pensar nos 42km.
Muitos atletas que conseguem completar sua primeira maratona, aliás, sentem-se vazios depois. Aquele projeto que consumiu meses desaparece, deixando um vazio existencial. Por isso, treinadores recomendam transformar a corrida em estilo de vida sustentável, não em um destino único e final.
A mensagem é clara: corra porque ama correr. Dispute uma maratona quando seu corpo, sua técnica e sua mente estiverem preparados — não antes. E, depois de cruzar aquela linha de chegada, lembre-se: há muito mais a explorar no universo da corrida. A jornada continua, e ela é bem mais importante que qualquer pódio.
Fonte: Folha Esporte
