Foto: Ardit Mbrati / Pexels
O fisiculturismo atravessa um momento delicado quando se trata da percepção do grande público. Enquanto o esporte evoluiu tecnicamente ao longo das décadas, os corpos cada vez mais exuberantes apresentados pelos atletas profissionais criaram um abismo entre a realidade dos praticantes amadores e o padrão estabelecido pelas estrelas da categoria.
De acordo com Paulo Muzy, médico e ex-praticante apaixonado pelo fisiculturismo, essa distância crescente ganhou proporções preocupantes. Para ele, a opinião negativa que circula entre o público geral está intimamente ligada ao contraste gritante entre os físicos de elite e os corpos comuns.
“A população enxerga o fisiculturismo como sinônimo de uso indiscriminado de anabolizantes”, resume o especialista. Essa percepção equivocada foi potencializada pela explosão das redes sociais, que amplificou a exposição dos atletas profissionais e criou uma bolha onde os corpos extremos viraram referência e parâmetro de comparação.
O problema é real e merece atenção. Enquanto influenciadores digitais apresentam transformações corporais milagrosas em poucas semanas, jovens admiradores se veem desestimulados a praticar o esporte de forma segura e saudável. A mensagem que passa é exatamente aquela que Muzy destaca: ou você consegue um corpo de atleta profissional — por qualquer meio — ou nem vale a pena tentar.
Essa narrativa prejudica não apenas a saúde mental de praticantes amadores, mas também a própria imagem do fisiculturismo como modalidade legítima. O esporte, quando praticado com responsabilidade e acompanhamento profissional adequado, oferece benefícios reais para força, resistência e qualidade de vida.
A solução passa por maior transparência sobre os limites do corpo humano natural, educação sobre preparação física responsável e, principalmente, uma mudança no discurso amplificado pelas redes sociais. Só assim o público conseguirá separar ficção de realidade e enxergar o fisiculturismo com os olhos certos.
Fonte: Folha Esporte
