Foto: INFINITY ADVENTURE NEPAL / Pexels
A temporada de 2026 no monte Everest entrou para a história, mas nem sempre pelos motivos certos. Com mais de 1.000 alpinistas em disputa pela conquista dos 8.849 metros de altitude no Nepal, a montanha mais alta do mundo enfrentou um cenário caótico que levou a cinco mortes e situações extremas de sobrevivência.
O recorde impressionante foi registrado no dia 21 de maio, quando 275 escaladores chegaram ao topo no mesmo dia. Sim, você leu certo. Esse número absurdo gerou as mesmas cenas polêmicas que viralizaram desde 2019: filas imensas no Hillary Step, o último e decisivo degrau antes do cume. Montanhistas esperando horas em fila, expostos ao frio extremo e à falta de oxigênio, criando uma verdadeira engarrafamento a quase 9 mil metros de altura.
A temporada foi oficialmente encerrada no dia 29 de maio, deixando para trás histórias de heroísmo e tragédia. Entre elas, a de um escalador que sobreviveu sete dias completamente sozinho no Everest, sem comida ou oxigênio suplementar – detalhes que revelam tanto a resiliência humana quanto o descaso que pode ocorrer nessas expedições.
A aglomeração no topo do Everest virou sinônimo de turismo de montanha descontrolado. O que antes era uma conquista de poucos elite se transformou em um evento em massa, onde o lucro das expedições comerciais parece importar mais que a segurança dos participantes. As filas nos últimos metros não são apenas incômodas – são potencialmente fatais.
Com cinco mortes confirmadas nesta temporada e o histórico de abandono de escaladores em dificuldade, a comunidade internacional de montanhismo debate urgentemente novas regulamentações. Afinal, o Everest continua sendo uma montanha indiferente ao número de pessoas que tentam conquistá-la. A questão que fica é: até quando o turismo de aventura vai priorizar números sobre vidas?
Fonte: Folha Esporte
