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A maior Copa do Mundo já realizada está prestes a começar. Com três países anfitriões, 48 seleções disputando e 104 partidas agendadas, o torneio promete quebrar todos os recordes numéricos da história da competição. Gianni Infantino, presidente da Fifa, não economiza nas palavras ao descrever o evento como uma “grande festa” do futebol mundial.
No entanto, por trás dessa celebração grandiosa existe uma realidade mais complexa que merece reflexão. A expansão do formato traz consigo questões importantes sobre inclusão, acesso e equidade no maior evento esportivo do planeta.
A mudança de 32 para 48 seleções representa uma oportunidade histórica para que mais nações tenham a chance de participar da Copa. Seleções que antes ficavam de fora agora terão espaço para disputar sonhos e glórias no palco mundial. Contudo, esse crescimento também gera preocupações legítimas.
Afinal, nem todos os torcedores conseguirão acompanhar essa festa presencialmente. Os ingressos para partidas em três países diferentes tornam a presença física inacessível para grande parte da população global. Além disso, as diferenças de custo de vida, câmbio e infraestrutura entre os países anfitriões criam barreiras reais para os apaixonados pelo futebol.
Há também questões sobre o impacto nas comunidades locais, na sustentabilidade dos estádios após o torneio e na distribuição equitativa de recursos entre as confederações participantes. A festa da Fifa pode ser grandiosa para alguns, mas deixará cicatrizes em outros lugares.
O futebol segue sendo o esporte mais democrático do mundo, mas quando chega o momento de sua maior celebração, as desigualdades emergem com força total. A Copa 2026 será memorável pelos números, mas também deve ser lembrada como um ponto de inflexão para discussões mais profundas sobre como tornar o esporte verdadeiramente inclusivo.
Fonte: Folha Esporte
