Foto: Gaspar Zaldo / Pexels
Junho de 1962. O mundo do tênis ainda respirava ares conservadores e rígidos, especialmente em Wimbledon, o templo mais tradicional do esporte da raquete. Foi justamente nesse cenário que Maria Esther Bueno, a brasileira que já havia conquistado o respeito internacional, decidiu desafiar as convenções — e causou um verdadeiro furor.
Após meses afastada dos gramados por uma lesão que testou sua determinação, Maria Esther retornava à All England Club com tudo. Mas não foi apenas seu tênis que chamou atenção. A escolha de usar uma calcinha rosa sob seu uniforme de quadra foi considerada nada menos que escancarada para os padrões da época.
Parece absurdo hoje, mas na década de 60, especialmente em um torneio tão protocolar quanto Wimbledon, qualquer desvio da sobriedade branca era visto como uma afronta. As mulheres tenistas eram esperadas para ser discretas, elegantes, e acima de tudo, modernas — mas nunca ousadas demais.
Maria Esther Bueno, porém, não tinha tempo para essas convenções sufocantes. A brasileira já havia provado sua excelência dentro de quadra, conquistando títulos e admiração. Voltar após a lesão usando uma calcinha rosa era mais que uma escolha de vestuário — era um ato de liberdade em um espaço dominado por expectativas antiquadas.
O episódio se tornou simbólico de um momento de transição no esporte. Enquanto o mundo gradualmente abria espaço para mais ousadia e individualidade, Wimbledon ainda agarrava-se às suas tradições. A coragem de Maria Esther em não se conformar antecipava uma mudança cultural que varreria o tênis nas décadas seguintes.
Ironicamente, quem deveria estar preocupado com as lesões da campeã brasileira acabou mais ocupado com a cor de sua roupa íntima. Um reflexo perfeito de como o esporte feminino sempre foi julgado por critérios bem diferentes dos seus colegas homens.
Fonte: Folha Esporte
