Foto: Andre Moura / Pexels
A abertura da Copa do Mundo 2026 no estádio Azteca, na Cidade do México, trouxe um espetáculo visual impressionante, mas que deixou a nu a realidade do futebol moderno: quando o show importa mais que a música.
Shakira comandou a apresentação ao lado de outras estrelas da música latina, em um show todo dublado que prometia emoção e autenticidade. Porém, o que se viu foi uma produção inteiramente calcada em playback, onde artistas de renome mundial aparentavam cantar enquanto gravações tocavam nos alto-falantes do estádio. A estratégia revelou uma verdade incômoda: a cerimônia funcionava, na verdade, como vitrine para os lançamentos comerciais da Fifa.
A mistura de ritmos latinos e a participação de múltiplos artistas criaram um mosaico musical confuso, onde a qualidade artística foi sacrificada em nome da espetacularidade visual e das metas publicitárias. Inteligência artificial foi incorporada ao processo criativo, gerando vídeos virais e conteúdos para as redes sociais — mais um reflexo de como as grandes corporações do futebol exploram tecnologia para amplificar seus lançamentos de produtos.
O lançamento de um novo disco da Fifa passou despercebido pela qualidade musical, ofuscado pela grandiosidade do estádio e pelo poder de convocatória dos nomes envolvidos. Uma estratégia que funciona comercialmente, mas que questiona se as cerimônias de abertura das Copas ainda servem à arte ou apenas ao mercado.
O que deveria ser um momento icônico no futebol mundial terminou como mais um episódio da mercantilização do esporte, onde a autenticidade cede lugar aos algoritmos e às planilhas de lucro. A Copa chegou, mas deixou uma pergunta no ar: quando foi que paramos de celebrar a beleza do futebol e começamos apenas a vender produtos com o futebol como pano de fundo?
Fonte: Folha Esporte
