Foto: Jesus Toledo / Pexels
Enquanto o Estádio Azteca explodia em fogos de artifício celebrando o início da Copa do Mundo de 2026, a poucos metros dali uma realidade bem diferente tomava conta das ruas. Manifestantes e policiais protagonizavam cenas de confronto que revelam as feridas profundas de uma nação que tenta organizar a maior festa do futebol em meio a uma das suas crises humanitárias mais graves.
O jogo entre África do Sul e México deveria ser apenas um grande espetáculo esportivo. Mas fora dos portões, grupos de ativistas exigiam justiça para dezenas de milhares de desaparecidos no país. Com cartazes e gritos de protesto, denunciavam: “México, campeão em desaparecimentos!” — uma crítica contundente à decisão de sediar o torneio enquanto a violência do crime organizado continua ceifando vidas e deixando famílias em luto.
As cenas de confronto escalaram rapidamente. Manifestantes removeram as barreiras de segurança do perímetro do estádio e trocaram agressões corpo a corpo com os policiais. Um grupo identificado como “bloco negro”, com integrantes encapuzados, agiu com maior agressividade, quebrando janelas de viaturas e armado com paus e tacos.
A polícia, sob pressão para manter a segurança e não permitir que os protestos ofuscassem a celebração, respondeu com dureza. Era um embate desigual: de um lado, a estrutura estatal; do outro, o grito desesperado de quem perde entes queridos na bruma da impunidade.
O contraste é perturbador. Enquanto milhões de torcedores se divertiam com o futebol, familiares de desaparecidos recordavam seus entes queridos nas ruas. Uma lembrança incômoda de que nem sempre o futebol consegue ser apenas futebol — às vezes, ele se torna o palco onde as contradições de um país ganham visibilidade.
Fonte: Gazeta Esportiva
