Foto: Alec Doualetas / Pexels
A poucos dias do início da Copa do Mundo de 2026, um episódio curioso revela a tímida presença do maior torneio de futebol do planeta nos Estados Unidos. Quando um repórter da Folha de S.Paulo chegou ao Aeroporto Internacional JFK, em Nova York, na manhã de sexta-feira (5 de junho), deparou-se com uma cena que resume a situação: a funcionária da imigração responsável por seu atendimento não sabia nem mesmo como nomear o evento.
Desconfortável com a documentação exigida para profissionais de imprensa cobrindo a competição, a agente consultou um colega e, na dúvida, referiu-se à Copa simplesmente como “aquele grande torneio de futebol” — “You know, that big soccer thing”, em tradução literal.
O momento, ainda que anedótico, expõe uma realidade incômoda para a FIFA: apesar de sediar um evento de repercussão global, os EUA ainda não respiram futebol como respiram basquete, beisebol ou futebol americano. Faltando dias para os primeiros jogos, a expectativa é que a movimentação aumente significativamente nas principais cidades-sede, incluindo Nova York.
Historicamente, os americanos enfrentam dificuldade em abraçar o futebol com a paixão que marcas latinos-americanas e europeias demonstram. Mesmo com a seleção americana participando da Copa, o entusiasmo popular permanece aquém do esperado para um país que investe pesadamente em infraestrutura esportiva.
A discrepância entre a importância global do torneio e seu reflexo nas ruas americanas levanta questionamentos sobre como a FIFA e os organizadores conseguirão mobilizar o público local nos próximos meses. Para os torcedores brasileiros, argentinos, franceses e demais apaixonados pelo esporte, uma coisa é certa: a festa acontecerá com ou sem o apoio entusiasmado da população local.
A Copa do Mundo 2026 promete emoções, gols e histórias memoráveis — mesmo que os funcionários dos aeroportos ainda chamem de “aquele grande negócio de futebol”.
Fonte: Folha Esporte
