Foto: hayati ilker ergün / Pexels
Ninguém em sã consciência gostaria de reviver 2020. O ano que o mundo parou, que matou milhões e forçou a humanidade a se trancar em casa também marcou o esporte de forma brutal. Mas e se, por algum motivo insano, precisássemos voltar àquele pesadelo?
Para o futebol, aquele período foi devastador. Estádios vazios, torcidas silenciosas, transmissões sem a energia que só a multidão consegue proporcionar. O futebol perdeu sua essência: a comunhão entre os torcedores nas arquibancadas.
Imagine o Brasileirão sem a festa das torcidas organizadas, sem aqueles gritos que ecoam pelos quatro cantos do estádio. Pense nos clássicos — Flamengo x Fluminense, Corinthians x São Paulo, Gremista x Colorado — disputados em silêncio sepulcral, como em um treino qualquer. A emoção congelada.
Os atletas também sofreram. A pressão psicológica de jogar sem público, a falta de motivação que a torcida oferece, a solidão dentro do gramado. Muitos jogadores revelaram, naquela época, como o isolamento afetou sua saúde mental e desempenho em campo.
Os clubes, por sua vez, viram suas receitas despencarem. Sem bilheteria, sem renda de concessões, a máquina financeira do futebol funcionava em marcha lenta. Pequenos clubes enfrentaram crises existenciais.
Felizmente, vivemos em 2026 em condições bem diferentes. As vacinas fizeram seu trabalho, o mundo aprendeu a conviver com a realidade e o futebol voltou com tudo — com seus estádios lotados, suas emoções à flor da pele, sua capacidade de reunir multidões.
Que este cenário permaneça apenas nos pesadelos dos torcedores mais antigos. O futebol precisa do povo nas arquibancadas. Precisa da energia, do barulho, daquela sensação indescritível que só quem vive o esporte de verdade consegue experimentar. O isolamento? Que fique no passado onde merece estar.
Fonte: Folha Esporte
