Foto: Diego Fioravanti / Pexels
A Fifa levou a comercialização da Copa do Mundo a patamares nunca antes vistos. Enquanto torcedores mundo afora se preparam para acompanhar a final de domingo (19), a entidade máxima do futebol oferece aos fãs mais abastados uma oportunidade exclusiva: levar para casa um pedaço literal do palco onde a história será escrita.
O produto em questão é uma combinação extravagante de itens de colecionador. Por US$ 3 mil (cerca de R$ 15,2 mil), o torcedor recebe um fragmento de gramado encapsulado em acrílico de alta qualidade, acompanhado por um ingresso da partida final gravado em ouro puro e uma miniatura do troféu da Copa talhada em cristal lapidado. Tudo disponível na loja oficial da Fifa, como se fosse apenas mais um produto no catálogo.
A estratégia revela uma transformação profunda em como o maior torneio de futebol do planeta é comercializado. O que antes era um evento esportivo com dimensões comerciais tornou-se, aparentemente, um evento comercial com dimensões esportivas. A tentativa de monetizar até os últimos centímetros da experiência do torcedor ilustra bem essa inversão de prioridades.
A pergunta que fica no ar é inevitável: será que essa hipercomercialização veio para ficar? Com receitas bilionárias em jogo, a Fifa não demonstra sinais de recuo. Patrocínios estratosféricos, direitos de transmissão caríssimos e agora produtos de colecionador em faixa de preço de luxo formam uma tríade comercial aparentemente irreversível.
Para o torcedor comum, aquele que apenas deseja assistir a uma partida de futebol de qualidade, a realidade é cada vez mais distante. A Copa do Mundo permanece sendo a festa do futebol, mas cada vez mais parece uma festa apenas para os que podem pagar o preço de entrada — literal e metaforicamente.
Fonte: Folha Esporte
