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A convocação da seleção brasileira para o Mundial de 2026 trouxe de volta aquela velha questão: será que precisamos mesmo de tanto espetáculo para anunciar 26 nomes?
Enquanto a CBF organizava um evento grandioso, transmitido em alta produção, com toda a parafernália de um grande acontecimento, as outras potências mundiais simplesmente postavam suas listas na internet e pronto. França, Alemanha, Argentina e companhia limitada optaram pela eficiência: informação direta, sem firulas.
O contraste é gritante e revela algo sobre como encaramos nossas responsabilidades. Parecia que estávamos comemorando um título já conquistado, quando na verdade apenas confirmávamos quem vai tentar reconquistar um troféu que falta desde 2002. Uma diferença sutil, mas significativa.
Claro, o Brasil tem direito a suas celebrações e sua forma peculiar de lidar com o futebol. A paixão é genuína, a importância do evento é real. Mas existe um limite entre entusiasmo e exagero. Especialmente quando estamos falando de uma seleção que chega ao torneio com incertezas táticas, questões sobre o desempenho em Copas recentes e a necessidade de reconstrução após decepções anteriores.
A verdade é que a convocação é apenas o começo. Os 26 nomes escolhidos precisam transformar essa estrutura toda em resultados dentro de campo. Precisam mostrar que toda essa produção, toda essa atenção mediática, todo esse investimento comercial faz sentido quando o apito bate.
Enquanto isso, a seleção segue entre certezas técnicas e incertezas competitivas. Tem jogadores de qualidade? Tem. Tem projeto claro? É o que precisamos ver. Tem perspectiva de título? Isso ainda é uma pergunta em aberto, e nenhum evento de divulgação muda essa realidade.
Fonte: Folha Esporte
