Foto: Andre Dantas / Pexels
Quando se pensa em política e futebol, raramente essas duas áreas se encontram de forma tão criativa e inesperada. Mas foi exatamente isso que aconteceu quando o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, decidiu homenagear a delegação brasileira que comparecia ao MetLife Stadium, em Nova Jersey, para o confronto entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo.
Em um comunicado divulgado nas redes sociais — que tinha o formato tradicional de um boletim informativo da prefeitura com dados sobre clima e transporte — Mamdani surpreendeu ao citar o histórico movimento Democracia Corinthiana, aquele revolucionário projeto dos anos 80 que transformou o futebol em instrumento de luta política e social sob a liderança intelectual do meio-campista Sócrates (1954-2011).
O gesto demonstra o alcance global da história do futebol brasileiro, capaz de inspirar até gestores públicos de uma das maiores metrópoles do mundo. Mamdani também aproveitou para tecer comentários sobre os desempenhos esperados de atletas da seleção, mencionando Vinícius Júnior e Raphinha como protagonistas nas alas do ataque.
Nem tudo saiu perfeito, porém. O prefeito cometeu uma gafe ao fazer referência a Richarlison, atacante que não integrava a delegação brasileira na competição. A brincadeira — sugerindo uma comemoração ao estilo pombo, símbolo histórico de Nova York — acabou caindo no vazio diante da ausência do jogador.
Mesmo com o pequeno tropeço, a atitude de Mamdani reflete algo importante: a capacidade do futebol de transcender as quatro linhas e dialogar com diferentes campos da sociedade, seja na política, na história ou na cultura. A Democracia Corinthiana, movimento que pregava a autogestão e questionava hierarquias rígidas, mostrou que o esporte pode ser palco de transformação social — uma mensagem que ainda ecoa décadas depois.
Fonte: Trivela
