Foto: Roman Stavila / Pexels
A eliminação do Brasil na Copa do Mundo mais uma vez abre as portas para aquela velha e cansativa discussão: quem foi o culpado? Técnico? Jogadores? Sistema tático? Dirigentes? A bola da vez é sempre diferente, mas o jogo permanece o mesmo há duas décadas.
Desde 2006, quando a Seleção começou sua seca de títulos mundiais, entramos em um padrão repetitivo e prejudicial. Perdemos, procuramos bodes expiatórios, apontamos dedos para todos os lados e, enquanto isso, os anos passam sem que qualquer solução efetiva seja implementada.
O problema não é apenas identificar onde erramos — é que nunca conseguimos realmente aprender com esses erros. Encontramos os culpados, sim, mas depois o que? A Confederação Brasileira de Futebol segue seus caminhos, os técnicos vão e vêm, os jogadores envelhecem e uma nova geração chega sem que nada fundamental tenha mudado estruturalmente.
É como tentar resolver um quebra-cabeça sem ver a imagem da caixa. Sabemos que as peças não se encaixam, mas não compreendemos por quê. Falta uma análise profunda e honesta sobre os problemas sistêmicos: metodologia de trabalho, formação de jogadores, política de seleção, continuidade de projetos.
Enquanto continuarmos nessa superficialidade — buscando vilões em vez de soluções — permaneceremos presos neste ciclo. O futebol brasileiro merecia mais que achismo e histeria coletiva após cada fracasso. Merecia um planejamento estratégico real, transparência nos processos decisórios e disposição genuína para mudar.
Sem compreender verdadeiramente por que perdemos, seguiremos em círculos. E a próxima Copa do Mundo chegará com as mesmas esperanças vazias e o mesmo desfecho previsível.
Fonte: Folha Esporte
