Foto: Sima Ghaffarzadeh / Pexels
Enquanto a seleção iraniana entrava em campo para sua estreia na Copa do Mundo, centenas de manifestantes tomavam as ruas de Los Angeles em protesto contra o governo de Teerã. Na segunda-feira, durante o empate de 2 a 2 entre o Irã e a Nova Zelândia, a comunidade iraniana residente na Califórnia fez ecoar gritos de “Chega de aiatolás!” e “Liberdade para o Irã!” pelas ruas americanas.
A demonstração não era apenas política — era uma declaração de posicionamento contra aquilo que os manifestantes veem como uma instrumentalização da seleção nacional. Com a antiga bandeira iraniana em destaque, a que exibia o leão e a espada antes da Revolução Islâmica de 1979, os opositores questionavam a legitimidade do Team Melli como representante genuíno do povo iraniano.
“Este time não é do povo iraniano. É do regime”, afirmou Ava Amin, estudante de filosofia que defende mudanças no governo de seu país. A fala resume o sentimento que moveu os protestantes: para eles, a participação da seleção na Copa serve apenas como ferramenta de propaganda do atual governo.
O contexto político-social que alimenta esses protestos é grave. Amin também lembrou que enquanto pessoas morrem em seu país, a seleção segue em silêncio. Trata-se de uma crítica que vai além do futebol: aborda questões de direitos humanos e a responsabilidade dos atletas em tempos de crise social.
A partida entre Irã e Nova Zelândia ocorreu sob intenso esquema de segurança, refletindo a sensibilidade política do confronto. O empate inicial deixa em aberto as chances da seleção iraniana na competição, mas o que ficou evidente é que, para muitos iranianos no exterior, a Copa do Mundo tornou-se um palco também para reivindicações políticas e sociais.
Fonte: Gazeta Esportiva
