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A fase de grupos da Copa do Mundo trouxe um espetáculo ofensivo, com gols aos montes e as principais seleções dominando seus adversários com relativa facilidade. Mas aquele torneio mais solto e permissivo acabou. Chegou a hora em que errar significa ir para casa.
O analista Tim Vickery não esconde sua preocupação com o mata-mata que se aproxima. E o nome que o deixa genuinamente inquieto é bem específico: Carlos Queiroz. O treinador português, que comanda a seleção do Irã, é exatamente o tipo de técnico que se sente em casa em momentos de pressão extrema.
Enquanto a maioria dos favoritos aproveitou a moleza do formato inicial para dar show de futebol ofensivo — onde a ênfase recaía sobre quem seria o artilheiro da competição — Queiroz manteve seu foco bem diferente. Para o técnico europeu, o torneio nunca foi uma brincadeira. Desde o primeiro dia, ele trabalhou com a seriedade de quem sabe que qualquer deslize é fatal.
A transição de 31 seleções para apenas 8 muda radicalmente o jogo. A tensão aumenta exponencialmente e o improviso dá lugar ao calcário tático. É exatamente neste cenário que treinadores experientes como Queiroz prosperam. Sua capacidade de organização defensiva, sua leitura de jogo aprimorada e sua frieza estratégica transformam o mata-mata em um tabuleiro perfeitamente controlado.
O primeiro jogo da fase decisiva entre Canadá e África do Sul já sinalizou para isso: futebol mais travado, menos brilho ofensivo, maior cautela. Esta é a música que Queiroz adora dançar. Enquanto as grandes potências passam por um processo de adaptação ao novo ritmo, o técnico iraniano chega ao período mais exigente da Copa fazendo exatamente aquilo que sabe fazer de melhor.
O perigo não está nas estrelas que Queiroz tem no elenco, mas na sua capacidade de sufocar o jogo e impor seu ritmo — justamente quando seus adversários desejam acelerar.
Fonte: Trivela
