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A estreia do Canadá na Copa do Mundo chega carregada de sentimentos contraditórios. Se por um lado a nação maple leaf respira o orgulho de sediar — junto com EUA e México — o maior torneio do futebol mundial, por outro lado cresce entre os torcedores canadenses uma frustração legítima: a distribuição desigual de partidas entre os territórios do torneio.
Conversas com centenas de adeptos da seleção maple leaf revelam um incômodo recorrente: por que tão poucas partidas acontecem em solo canadense? A pergunta ecoava nas ruas antes do pontapé inicial da campanha, refletindo um sentimento de que o país não aproveitava plenamente sua oportunidade de sediar um Mundial.
O contexto é intrigante. O Canadá, historicamente menos envolvido com o futebol em comparação aos vizinhos americanos, via a Copa como uma chance de reafirmar sua relevância no esporte. Porém, a maior concentração de jogos nos Estados Unidos — potência econômica e com estrutura desportiva consolidada — gerou críticas sobre as prioridades dos organizadores.
Para além das questões logísticas, há também um aspecto político implícito. O desbalanceamento na distribuição de partidas ressoa como uma falta de reconhecimento da contribuição canadense e, simbolicamente, como uma reafirmação da hegemonia norte-americana na região.
Apesar disso, a torcida canadense não deixava de demonstrar esperança. O país chegava à Copa com expectativas modestas, mas realistas, e a população esperava que sua seleção pudesse fazer uma campanha digna e representar com honra o futebol do Canadá no cenário mundial.
A mensagem estava clara nas arquibancadas: sim, há orgulho em sediar um Mundial. Mas esse orgulho viria acompanhado de críticas legítimas sobre como o torneio foi estruturado e distribuído entre os três países anfitriões.
Fonte: Folha Esporte
