Foto: Daniel Neves Cotta / Pexels
A polêmica envolvendo possíveis cortes nas competições de duplas no tênis profissional ganhou novos contornos. Campeões de Wimbledon, Julian Cash e Lloyd Glasspool saíram em defesa da modalidade, manifestando sua indignação com propostas que podem reduzir significativamente o número de eventos destinados aos parceiros.
Para os jogadores de duplas, as medidas representam muito mais que simples ajustes calendáricos. Trata-se de uma questão de sobrevivência profissional. “Estão tirando nossos empregos”, protestou a dupla britânica, evidenciando o desespero de atletas que dependem exclusivamente das competições em pares para manter suas carreiras.
O cenário é preocupante. Enquanto as competições individuais dominam o calendário e atraem maior cobertura midiática, as duplas encontram-se cada vez mais marginalizadas. Reduzir ainda mais eventos significa menos oportunidades de competição, menos prêmios em dinheiro e, consequentemente, maior dificuldade para atletas sustentarem suas carreiras no esporte.
Essa discussão reflete um dilema maior do tênis contemporâneo: o equilíbrio entre as modalidades. As entidades organizadoras argumentam que concentrar recursos nas competições individuais aumentaria a qualidade geral dos eventos. Porém, atletas como Cash e Glasspool apontam que esse raciocínio ignora completamente o impacto na vida profissional de centenas de tenistas especializados em duplas.
O fato de campeões olímpicos e vencedores de Grand Slams em duplas tomarem posição pública demonstra a gravidade da situação. Não se trata apenas de jogadores secundários reclamando de oportunidades perdidas, mas de profissionais consolidados vendo sua especialidade ser desvalorizada sistematicamente.
A indústria do tênis precisa reconhecer que as duplas têm valor próprio: tradição, espetáculo e, principalmente, carreiras. Sem ação imediata, o esporte corre o risco de perder uma de suas facetas mais interessantes e empurrar centenas de atletas para o desemprego.
Fonte: BBC Sport Tennis/Other
