Foto: RUN 4 FFWPU / Pexels
São Paulo virou sinônimo de corridas pelas ruas. A capital paulista está tomada por maratonas, meia-maratonas e corridinhas de 5k espalhadas por todo o calendário. Mas e quem gosta de caminhar? Bem, esse público parece estar condenado ao ostracismo nos eventos esportivos da cidade.
A reclamação é válida e merece reflexão. Enquanto os organizadores de corridas dominam o calendário urbano com suas provas de atletas em ritmo acelerado, os caminhantes são relegados a migalhas na programação. E quando aparecem? Geralmente aqueles tímidos e desinteressantes percursos de 3 quilômetros, que mais parecem passeios de domingo com a avó do que eventos esportivos de verdade.
O problema é estrutural. A indústria das corridas cresceu exponencialmente nos últimos anos e capturou toda a infraestrutura, patrocínios e espaço no calendário cívico da metrópole. Enquanto isso, as caminhadas longas — aquelas que desafiam o corpo, testam a resistência e promovem saúde cardiovascular de forma tão eficaz quanto as corridas — sequer ganham relevância.
Por que não abrir espaço para circuitos maiores de caminhada pela cidade? Percursos que cruzem bairros, conectem pontos interessantes, ofereçam desafio real aos participantes? Não estamos falando daqueles passeios turísticos que param a cada 100 metros para explicar a história de um sobrado. Estamos falando de eventos esportivos sérios, com cronometragem, metas de distância e participação organizada.
A questão vai além do lazer. Caminhadas longas beneficiam populações diversas: idosos que não conseguem correr, pessoas em recuperação, atletas em transição e simplesmente quem prefere esse tipo de atividade. São Paulo tem população para sustentar esse mercado, mas faltam empreendedores dispostos a enxergar a oportunidade.
É hora de os promotores de eventos esportivos da cidade abrirem seus olhos para além da maratona. Os caminhantes paulistanos merecem seu lugar ao sol — literalmente.
Fonte: Folha Esporte
