Foto: ARNAUD VIGNE / Pexels
Existem histórias incríveis para contar sobre montanhistas, trilheiros e desportistas que desafiam limites em busca daquela sensação única de liberdade. Aventuras que mexem com a adrenalina e inspiram milhares de pessoas. Mas nem todas as histórias de esportes radicais terminam em glória e superação.
A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, aos 21 anos, é um daqueles casos que não dá para passar batido. A jovem perdeu a vida em uma ponte abandonada em Limeira, no interior de São Paulo, vítima de negligência pura e simples. Ela caiu de uma altura de 40 metros porque alguém – aqueles que prometiam adrenalina garantida – cometeu o erro mais básico, mais elementar: não prendeu a corda antes de arremessá-la ao vazio.
É impensável. É criminoso. É a morte anunciada de alguém que confiou em profissionais que deveriam dominar cada detalhe da segurança como quem respira. O bungee jumping, o salto em queda livre, o rapel – todas essas modalidades exigem rigor absoluto em protocolos de proteção. Não há margem para improviso, distração ou desatenção.
O problema é que o mercado de esportes de aventura cresceu exponencialmente nos últimos anos. Com esse crescimento, surgiram operadores sem formação adequada, sem certificações, sem a menor responsabilidade. Ganhadores fáceis que vendem emoção sem garantir segurança. E jovens como Maria Eduarda acabam pagando o preço.
Precisamos questionar: quantas mortes ainda precisam acontecer para que exista fiscalização rigorosa? Quantas Maria Eduardas e quantos Marios ainda se irão antes de normas regulatórias efetivas entrarem em vigor? As famílias destruídas, as vidas ceifadas, as promessas não cumpridas – isso não é apenas um acidente. É resultado de irresponsabilidade sistemática.
Os esportes de aventura não são vilões. Quem é vilão é quem lucra sobre eles sem respeitar as vidas que estão em suas mãos.
Fonte: Folha Esporte
