Foto: SHVETS production / Pexels
Enquanto o tenista bate na bola sob os refletores, a tenista fica na penumbra. Essa é a realidade que se repete em Roland Garros, onde todas as oito sessões noturnas deste ano foram reservadas exclusivamente para os homens. Uma decisão que levanta questões incômodas sobre igualdade no esporte mais tradicional do mundo.
O French Open, um dos quatro Grand Slams do calendário tennístico, vem enfrentando críticas crescentes por manter essa disparidade. Os jogos noturnos representam mais que simples horários alternativos – significam maior visibilidade, audiência televisiva, receita de publicidade e, consequentemente, prestígio para os atletas. Quando as mulheres são sistematicamente excluídas, a mensagem é clara: seus jogos valem menos.
A discussão ganha peso quando comparamos com outros torneios. Wimbledon e o US Open já ampliaram significativamente a presença feminina nas sessões noturnas, reconhecendo que o público quer ver as melhores tenistas em horários prime time. A resistência de Roland Garros parece cada vez mais anacrônica.
Para a indústria do tênis, essa exclusão é miopia comercial. Partidas femininas protagonizadas por nomes consagrados – como as melhores tenistas atuais – garantem audiências robustas e engajamento nas redes sociais. Relegar essas competições aos períodos diurnos significa desperdiçar potencial financeiro e de audiência.
O tema também toca questões culturais profundas. Que mensagem se transmite quando o esporte internacional perpetua a desigualdade de oportunidades? Quantas meninas seguem carreira no tênis com a expectativa de nunca brilhar sob os refletores, simplesmente por serem mulheres?
A administração de Roland Garros terá que responder por essa escolha. As atletas, suas federações e os fãs de tênis ao redor do globo aguardam ações concretas – não promessas – de igualdade de acesso aos melhores horários. Afinal, no século 21, ainda precisamos discutir isso?
Fonte: BBC Sport Tennis/Other
