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Enquanto a maratona do Rio de Janeiro prepara sua edição milionária com prêmios de até US$ 100 mil para os três primeiros colocados dos 42 quilômetros, São Paulo oferece um contraste interessante: a Corrida do Gari segue seu caminho sem nenhuma premiação em dinheiro para os vencedores.
É uma realidade bem diferente do que vemos nos grandes eventos do calendário brasileiro. Aqui, troféus e a glória de vencer são os únicos prêmios materiais que os atletas levam para casa. Nada de boladas financeiras, patrocínios vultosos ou cachês estratosféricos. Apenas o mérito desportivo puro.
Essa característica, longe de ser um problema, revela algo importante sobre a cena de corridas amadoristas da capital paulista. A prova atrai velocistas de verdade, aqueles que correm pela paixão, pela superação pessoal e pelo desafio de competir contra bons atletas. Não há ilusões de ficar rico. Há, sim, o objetivo genuíno de deixar a marca na história da competição.
A comparação com a maratona carioca, que distribui US$ 100 mil entre os melhores colocados já no próximo domingo, realça ainda mais essa diferença. Duas abordagens distintas para o mesmo esporte: uma voltada para profissionais buscando renda; outra que abraça o amadorismo consciente e competitivo.
Para São Paulo, isso não é fraqueza. É identidade. A Corrida do Gari representa uma tradição de competições raiz, onde o prêmio verdadeiro está em superar a si mesmo e aos demais corredores na largada. Um espaço autêntico para quem ama correr sem esperar retorno financeiro.
Enquanto o Rio brilha com seus milhares de dólares, a capital paulista mantém viva uma proposta diferente: mostrar que esporte de qualidade não depende apenas de dinheiro. Depende de gente que acredita na competição pelo simples fato de competir.
Fonte: Folha Esporte
