Foto: RUN 4 FFWPU / Pexels
A prática da corrida, tão celebrada como sinônimo de saúde e longevidade, revelou seu lado trágico em São Paulo. Em menos de 30 dias, dois corredores amadores — um de 46 e outro de 50 anos — perderam a vida durante provas ou logo após cruzarem a linha de chegada. Os casos acendem um alerta vermelho para a comunidade de runners do país.
O fenômeno não é novo, mas segue sendo negligenciado por muitos entusiastas. A ironia é cruel: enquanto milhares de brasileiros correm desesperadamente em busca de saúde e qualidade de vida, alguns corpos simplesmente não resistem ao esforço. A culpa, na maioria dos casos, está em condições cardíacas preexistentes que passam despercebidas.
Cardiopatias silenciosas são assassinas invisíveis nas pistas. Arritmias, inflamações miocárdicas e outras doenças do coração podem não apresentar sintomas em repouso, mas revelam toda sua brutalidade durante o esforço máximo de uma corrida. O problema é que muitos amadores negligenciam exames cardiológicos básicos antes de começar a treinar regularmente.
A medicina do esporte alerta: não basta estar magro ou parecer saudável. A avaliação cardiológica prévia deveria ser obrigatória para qualquer pessoa acima dos 40 anos que deseja iniciar ou intensificar a prática de corrida. Eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico são investimentos que podem custar a vida.
Enquanto isso, as ruas de São Paulo continuam lotadas de corredores que arriscam suas vidas a cada quilômetro percorrido. A tragédia não deveria ser o combustível para mudanças de comportamento. Corremos para viver mais e melhor, não para morrer na linha de chegada.
Fonte: Folha Esporte
