Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Steve Clarke tirou a Escócia do isolamento futebolístico, mas não conseguiu levá-la além da fase de grupos em torneios importantes. Sua saída, anunciada recentemente, traz um sentimento paradoxal: reconhecimento pelo trabalho realizado e, simultaneamente, uma sensação de que era chegada a hora de mudança.
Durante sua gestão, Clarke restabeleceu a credibilidade da seleção escocesa no cenário internacional. Após anos de frustrações e resultados decepcionantes, o técnico trouxe estabilidade, organização tática e um projeto de futebol mais coeso. Os torcedores voltaram a acreditar que a Escócia poderia competir novamente nos grandes palcos.
No entanto, o futebol também é sobre conquistas e avanços. Clarke viu sua equipe esbarrar sistematicamente na barreira das fases de grupos, tanto em Copas do Mundo quanto em Campeonatos Europeus. Essa limitação, apesar de todos os progressos estruturais, pesou sobre seu trabalho e justifica as críticas quanto ao seu legado estar incompleto.
O que não pode ser negado é o mérito de Clarke em transformar a mentalidade escocesa. Ele chegou em um momento de crise de confiança e construiu bases sólidas para o futuro. A organização defensiva, o aproveitamento de jogadores jovens promissores e a recuperação do prestígio internacional são marcas registradas de seu trabalho.
Ao mesmo tempo, sua saída traz alívio porque abre espaço para novas ideias e possibilidades. A Escócia precisa de um passo além, um técnico capaz de transformar aquele futebol organizado em resultados que ultrapassem as primeiras rodadas de torneios internacionais.
Clarke deixa uma seleção mais forte do que encontrou, mas também deixa tarefas incompletas. Esse é o balanço real de sua gestão: um reconstrutor que não conseguiu fechar o ciclo com a conquista que a Escócia tanto aguarda.
Fonte: BBC Sport Football
