Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Existe um fenômeno curioso no futebol mundial que merecia ser discutido com mais liberdade: a dificuldade que muitos torcedores têm em reconhecer publicamente o brilho de Lionel Messi sem antes se justificar ou se explicar.
Seja pela rivalidade histórica entre Brasil e Argentina, pela polarização criada em torno da carreira do camisa 10 do Inter Miami, ou simplesmente pelo incômodo de admitir qualidades de um ídolo alheio, o fato é que falar bem de Messi virou algo que demanda certo cuidado e diplomacia no ambiente das redes sociais e dos debates futebolísticos.
Isso é particularmente interessante quando observamos como a figura de Messi transcendeu o futebol. Ele não é apenas um jogador extraordinário, mas uma lenda viva que conquistou praticamente tudo que era possível conquistar — incluindo o tão almejado prêmio que sempre faltou: a Copa do Mundo.
A verdade incômoda é que parte significativa do público prefere manter suas preferências escondidas a enfrentar os julgamentos que naturalmente virão. Comentar nas redes sociais que Messi é um dos maiores da história tornou-se quase um ato de bravura em certos círculos futebolísticos brasileiros.
Mas por que isso acontece? A resposta provavelmente está na forma como construímos nossas identidades como torcedores. Admirar um rival, especialmente um tão emblemático, pode soar como uma traição aos nossos próprios heróis e ídolos. É como se houvesse uma economia emocional no futebol onde elogiar um significa diminuir o outro.
A realidade, porém, é bem diferente. Reconhecer a grandeza de Messi não diminui em nada a importância de Pelé, Ronaldinho ou Ronaldo Nazário. Futebol é arte suficiente para múltiplos mestres coexistirem. A história tem espaço para todos eles.
Talvez tenha chegado o momento de começarmos a conversa: é realmente proibido admirar Messi? Ou nós é que fazemos proibições desnecessárias?
Fonte: Folha Esporte
