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Se você circula pelas redes sociais, já deve ter notado: chineses em massa acompanhando a Copa do Mundo com paixão de verdade. Vídeos viralizando mostrando torcedores do país asiático vibrando de forma intensa, principalmente quando a Seleção Brasileira entra em campo. Isso levantou novamente uma questão que persegue analistas do futebol mundial há décadas: afinal, por que a China, uma superpotência econômica e demográfica, não consegue deslanchar no futebol?
O paradoxo é interessante demais para ignorar. Estamos falando de um país com mais de um bilhão de habitantes, investimentos bilionários em infraestrutura esportiva e capacidade de mobilizar recursos que fariam qualquer confederação do mundo suspirar de inveja. Mesmo assim, a seleção chinesa permanece distante dos grandes palcos internacionais, longe de competir de verdade por títulos expressivos.
A resposta não é simples, e envolve fatores que vão muito além de dinheiro ou estrutura. Historiadores do esporte apontam que o futebol, apesar de ser hoje um fenômeno global, ainda convive com raízes culturais profundas em cada país. Na China, outras modalidades ocupam espaço tradicional na preferência pública. Além disso, a seleção chinesa carece de uma tradição competitiva de elite que inspire gerações de atletas.
Há também a questão da base técnica e do desenvolvimento de jogadores. Embora o país tenha investido em academias e programas de formação, a qualidade do treinamento e a competição entre as equipes domésticas ainda ficam atrás de seleções consolidadas. Enquanto Brasil, Argentina e européias refinam suas táticas há décadas, a China segue em fase de construção.
O fato curioso é que isso não diminui o fascínio dos chineses pelo jogo. Milhões acompanham ávidos, torcem apaixonadamente, sonham com o dia em que sua seleção brilhe na Copa. Talvez esse seja o primeiro passo para mudanças futuras: a paixão existe. Agora, falta transformá-la em resultados concretos.
Fonte: Folha Esporte
