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Parece paradoxal, mas é verdade: a Irlanda do Norte não disputa uma Copa do Mundo há quatro décadas, desde o memorável Mundial de 1986 no México, e mesmo assim continua tendo voz ativa na formulação das regras que governam o futebol mundial.
O país que fica na ilha da Irlanda, dividida entre norte e sul, é um dos menos desenvolvidos em termos de profissionalismo no futebol europeu. Com apenas quatro clubes totalmente profissionais em seu território, a nação contrasta brutalmente com as grandes potências do continente. Enquanto isso, seus representantes nas instâncias internacionais do futebol mantêm influência desproporcional nas decisões que afetam o esporte globalmente.
A participação na Copa de 1986 foi a última vez que os norte-irlandeses sentiram o sabor de um Mundial. Desde então, várias gerações de jogadores e torcedores cresceram sem experimentar o privilégio de ver sua seleção disputando o torneio mais importante do planeta. A ausência prolongada reflete não apenas dificuldades estruturais, mas também a competitividade feroz das eliminatórias europeias.
Apesar dessa realidade pouco gloriosa nos campos, a Irlanda do Norte segue sendo membro pleno das organizações que regulam o futebol internacional. Suas federações têm assento garantido nas mesas de negociação onde se decidem mudanças nas regras da partida, formato de competições e questões administrativas do esporte.
Esse cenário ilustra bem como o futebol moderno funciona: nem sempre quem mais joga ou mais vence é quem mais decide. As estruturas históricas preservam poder mesmo quando a performance esportiva declina significativamente. Para os norte-irlandeses, resta a esperança de que uma reforma estrutural profunda no futebol local possa novamente aproximá-los de um Mundial, quebrando essa seca de quatro décadas.
Fonte: Folha Esporte
