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A seleção francesa segue sendo alvo de um debate que deveria ter sido encerrado há tempos. Mesmo após conquistar a Copa do Mundo de 2018 com um elenco etnicamente diverso, os jogadores franceses descendentes de imigrantes africanos continuam enfrentando questionamentos sobre sua identidade nacional.
Didier Deschamps levou 23 convocados para a Rússia em 2018, sendo que 21 nasceram efetivamente no território francês. Desses, 15 eram filhos ou netos de imigrantes africanos. Resultado? Título mundial. Mesmo assim, não faltaram críticas nas redes sociais. A pergunta que circulava era praticamente a mesma que ouvimos até hoje: “Será que esses jogadores só são franceses quando ganham?”
O cenário se repete agora. Dos 26 convocados por Deschamps para a atual Copa do Mundo, 23 nasceram na França. E, previsível, a seleção volta a ser rotulada como “imigrante” por setores que insistem em manter essa discussão envenenada.
A questão é simples e direta: um atleta que nasce em um país, cresce em um país, defende as cores de um país e conquista títulos por um país, como pode não ser considerado completamente cidadão? A naturalização não é apenas um papel burocrático; é a integração de um indivíduo à nação.
O futebol francês ganhou muito com a diversidade. Os melhores talentos do país, independentemente de sua origem familiar, formam uma seleção competitiva e poderosa. Essa é a realidade moderna do esporte de elite.
Antes de apontar dedos para jogadores franceses quando entrarem em campo nesta terça-feira (16) contra Senegal, é fundamental compreender: ser francês não é uma questão de cor de pele ou sobrenome. É questão de nacionalidade, compromisso e lealdade.
O preconceito disfarçado de questionamento sobre identidade nacional precisa ser reconhecido e combatido. A França não ganhou a Copa de 2018 apesar da diversidade. Ganhou por causa dela.
Fonte: Trivela
