Foto: César O'neill / Pexels
Parecia impossível. Depois de dominar o futebol mundial entre 2008 e 2012 com um modelo de jogo baseado na posse de bola que encantava plateias inteiras, a Espanha viveu um calvário de eliminações precoces que questionava até sua identidade tática. Três Copas do Mundo fracassadas — 2014, 2018 e 2022 — alimentavam a sensação de que a Fúria tinha envelhecido e que o país simplesmente não conseguia mais produzir talentos de elite.
Dezesseis anos se passaram desde aquele título histórico na África do Sul em 2010. Neste intervalo, críticos e especialistas sussurravam que a receita espanhola tinha perdido o tempero. O futebol evoluía, as defesas se adaptavam e o toque de bola deixava de ser garantia de sucesso. A incerteza tomava conta dos torcedores espanhóis, que viam suas glórias ficarem cada vez mais distantes no retrovisor.
Mas eis que surge o renascimento. A Espanha não apenas voltou ao topo do mundo, como fez isso mantendo sua essência, porém com uma nova roupagem. Não é simplesmente a repetição daquele futebol dos anos 2010. É uma evolução respeitosa da tradição, um retorno ao domínio que conversa com a modernidade do jogo contemporâneo.
O feito merecia ser comemorado não apenas pela conquista em si, mas pelo caminho percorrido até lá. A seleção espanhola comprovou que é possível reinventar-se sem renegar as raízes, que a identidade tática não é uma sentença de morte, mas sim uma plataforma para evolução.
Depois de vagar pelo deserto das derrotas e do esquecimento, a Espanha se reafirmou como força do futebol internacional. E mais importante: fez isso de forma legítima, através de um futebol que combina técnica refinada com eficiência prática. Não foi sorte, não foi coincidência. Foi o retorno merecido de quem nunca deixou de ser grande.
Fonte: Trivela
