Foto: Laura Rincón / Pexels
A Fifa implementou uma estratégia que promete mexer bastante nos bolsos das emissoras de televisão. As pausas obrigatórias para hidratação durante os jogos da próxima Copa do Mundo abrem espaço para mais comerciais, transformando intervalos que deveriam ser apenas de recuperação em janelas publicitárias milionárias.
A justificativa oficial é lógica: proteger a saúde dos atletas diante do calor intenso previsto para o verão na região de Estados Unidos, México e Canadá. Enquanto os jogadores aproveitam os três minutos para beber água e recuperar energias, os telespectadores em casa recebem uma enxurrada de anúncios. Refrigerantes, bebidas energéticas e outros produtos aproveitam o momento em que todos os olhos estão na transmissão.
Didier Deschamps, técnico da seleção francesa, não escondeu a ironia da situação após o amistoso contra o Brasil em março. O francês admitiu que as pausas interrompem o ritmo do jogo, mas deixou claro que os detentores dos direitos de transmissão estão comemorando. Afinal, mais pausas significam mais espaço para publicidade e mais receita garantida.
Essa decisão reforça uma tendência cada vez mais evidente no futebol moderno: a transformação do esporte em um grande negócio televisivo. O que antes era uma competição puramente desportiva agora é moldado também por interesses comerciais. As pausas podem estar bem-vindas para os jogadores em condições climáticas extremas, mas sua implementação obrigatória, independentemente das condições meteorológicas reais, levanta suspeitas sobre as verdadeiras motivações por trás dessa medida.
O futebol segue se reinventando, e nem sempre a mudança beneficia apenas quem coloca a bola em jogo. Os torcedores, porém, continuam acompanhando cada lance, cada pausa e cada comercial que vier pela frente.
Fonte: Gazeta Esportiva
