Foto: César O'neill / Pexels
Durante duas edições da Copa do Mundo, a FIFA experimentou uma forma controversa de decidir partidas de mata-mata: o gol de ouro. A regra, utilizada nos Mundiais de 1998 e 2002, estabelecia que o primeiro gol marcado durante a prorrogação encerraria imediatamente a partida, independentemente do minuto em que fosse anotado. Parecia simples e emocionante, mas a prática mostrou-se bem mais polêmica do que o esperado.
O primeiro caso de um gol de ouro decidindo uma partida na história das Copas ocorreu justamente em 1998, quando a França enfrentava o Paraguai pelas quartas de final. Após 90 minutos de igualdade no marcador, foi no tempo extra que os franceses conseguiram balançar a rede, garantindo a vaga na semifinal com aquela regra ainda inédita em Mundiais.
A medida pretendia resolver rapidamente os jogos eliminatórios, evitando a necessidade de cobranças de pênalti — que, reconhecidamente, geram grande angústia nos torcedores. Porém, a FIFA percebeu que o gol de ouro criava situações desconfortáveis. A pressão psicológica era imensa, já que um único erro defensivo nos primeiros minutos da prorrogação praticamente condenava um time inteiro. Além disso, a regra incentivava um futebol mais defensivo e cauteloso durante o tempo extra, prejudicando o espetáculo.
A partir de 2006, a entidade máxima do futebol mundial decidiu abolir definitivamente o gol de ouro. A volta ao formato tradicional — com prorrogação completa seguida de pênaltis, se necessário — trouxe mais equilíbrio às disputas. Hoje, ambas as equipes têm oportunidades iguais durante todo o tempo extra, mantendo a intensidade do jogo até o apito final.
Essa decisão reflete como até as regras mais criativas podem precisar ser descartadas quando não funcionam na prática. O futebol, afinal, valoriza a igualdade de condições para todos os participantes.
Fonte: Trivela
