Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Há nove anos, Jair Ventura era apontado como o messias do futebol brasileiro. Com apenas 38 anos em 2017, o técnico representava a esperança de uma geração capaz de lavar a afronta do 7 a 1 sofrido pela seleção na Copa de 2014. Mas o caminho até ali não foi simples para quem carregava o peso de ser filho de Jairzinho, o lendário Furacão de 1970.
O grande diferencial de Ventura naquela época foi justamente conseguir se desassociar da sombra paterna através do trabalho. Seu feito à frente do Botafogo, em 2017, foi praticamente milagroso: com recursos limitados, transformou o clube carioca em uma potência continental. O time não apenas avançou às semifinais da Copa do Brasil, como também impressionou na Libertadores, chegando até as quartas de final — só caiu diante de um Grêmio que se tornaria campeão.
Naquele momento, Ventura e sua geração pareciam estar prontos para revolucionar o futebol nacional. A promessa era clara: novos métodos, novas ideias, uma ruptura com os velhos paradigmas que assolavam a CBF. A renovação parecia iminente.
Porém, quase uma década depois, o cenário mudou consideravelmente. A trajetória de Ventura — como a de muitos treinadores de sua geração — não seguiu o roteiro esperado. Isso levanta uma questão fundamental: será que essa geração de técnicos conseguirá se reinventar? Ou ficarão presos aos fantasmas do passado?
A realidade é que o futebol brasileiro precisa urgentemente de ideias frescas e lideranças renovadas. Os jovens treinadores precisam não apenas de oportunidades, mas de espaço para cometer erros e aprender. A estrutura clubista brasileira, muitas vezes refém de torcedores imediatistas e dirigentes amadores, raramente oferece esse luxo.
Jair Ventura, agora aos 47 anos, representa bem essa encruzilhada: pode ser o bombeiro apagando incêndios em clubes grandes, ou pode ser o arquiteto de um projeto de longo prazo. A escolha — e a coragem para fazê-la — ainda está em suas mãos.
Fonte: Folha Esporte
