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Antes dos algoritmos e das análises preditivas que dominam o futebol moderno, um jornal brasileiro já apostava em números para contar histórias de campo. A Folha de S.Paulo foi pioneira ao incorporar estatísticas como ferramenta essencial na cobertura do esporte mais popular do país, decisão que marcou época e influenciou gerações de jornalistas.
Tudo começou em meados de 1985, quando a redação da Folha passava por uma transformação radical. Com Otavio Frias Filho comandando os trabalhos, o jornal implementava o chamado Projeto Folha — uma iniciativa ambiciosa que reorganizava processos e metodologias editoriais. O objetivo era claro: tornar a publicação mais objetiva, concisa e plural, acompanhando as tendências jornalísticas internacionais.
Naquele contexto de mudanças, a cobertura de futebol ganhou uma dimensão inovadora. Enquanto competitors continuavam narrando partidas de forma tradicional e subjetiva, a Folha começava a incorporar dados concretos, percentuais de posse de bola, estatísticas de finalizações e análises numéricas que agregavam profundidade ao relato dos jogos. Era uma abordagem revolucionária para a época.
Essa visão forward-thinking antecipou em décadas o que hoje é absolutamente normal — a dependência de métricas e análises estatísticas para entender futebol. Hoje, qualquer transmissão de jogo ou matéria especializada inclui dados sofisticados. Mas em 1985, era praticamente ficção científica para o jornalismo esportivo brasileiro.
O legado dessa aposta? Elevou o padrão de qualidade da cobertura futebolística nacional, inspirou outras redações a investirem em rigor editorial e preparou o terreno para a era do jornalismo esportivo data-driven que vivemos atualmente. A Folha não apenas informava — educava seus leitores a entender o jogo através de uma linguagem mais precisa e fundamentada.
Fonte: Folha Esporte
