Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Há pouco mais de um ano, a Ponte Preta vivia seu melhor momento. O inédito título da Série C em 2025 representava muito mais que um troféu: era o símbolo de uma retomada, o passo inicial para resgatar a instituição do ostracismo que a perseguia há décadas. Os torcedores sonhavam grande, apostavam em um futuro promissor. Ninguém poderia imaginar que a queda seria tão rápida e devastadora.
Hoje, pouco mais de 12 meses depois dessa festa memorável, o cenário é radicalmente diferente. A Ponte Preta está mergulhada na maior crise de seus 126 anos de história. Lanterna da Série B, a equipe campineira parece fadada ao retorno praticamente certo à Série C – uma humilhação que resume perfeitamente o colapso vivido pela instituição.
O que deveria ser um trampolim se tornou uma maldição. A euforia do título não se converteu em estrutura, planejamento ou continuidade. Pelo contrário: turbulências administrativas, problemas financeiros crônicos e um desempenho em campo que não condiz com as ambições refletiram diretamente na campanha desastrosa. O time não conseguiu manter a qualidade, perdeu peças importantes e não conseguiu montar um elenco competitivo para a segunda divisão.
A Ponte Preta se tornou um espelho das contradições do futebol brasileiro: a vitória que não leva ao progresso, mas ao vazio. Dentro e fora das quatro linhas, o clube não conseguiu aproveitar o momentum. Problemas estruturais que deveriam ter sido resolvidos continuam intactos, enquanto a base de torcedores diminui e a desesperança cresce.
Agora, a instituição centenária enfrenta a possibilidade de cair novamente à terceira divisão, em um ciclo que parece interminável. O título inédito, que prometia ser o início de um novo capítulo, pode ser lembrado como apenas um respiro em uma agonia muito maior. Para a Ponte Preta, o desafio agora é não apenas voltar, mas se reinventar – antes que seja demasiado tarde.
Fonte: Folha Esporte
