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Após a vitória do Palmeiras sobre o Cerro Porteño em 19 de agosto, Abel Ferreira soltou uma reflexão que vai muito além dos três pontos conquistados. O técnico português apontou uma ferida aberta no futebol contemporâneo: a toxicidade que permeia o ambiente e a intolerância com qualquer resultado que não seja a vitória.
“O futebol está doente”, disparou Abel, tocando em um ponto sensível que transcende as quatro linhas. Sua análise revela uma realidade incômoda para muitos: vivemos em um futebol que celebra apenas os vencedores e destrói quem tropeça no caminho. Não há espaço para nuances, para aprendizado através da derrota, para construção gradual de um projeto.
A observação do treinador do Palmeiras diagnostica uma doença crônica. Em um ambiente cada vez mais agressivo, qualquer tropeço é transformado em catástrofe midiática. Os perdedores são expostos, humilhados e frequentemente descartados sem qualquer consideração pelo processo. É uma lógica binária e cruel: você vence ou você é um fracasso.
Essa toxicidade contamina não apenas os atletas e comissões técnicas, mas toda a estrutura do futebol brasileiro. Torcedores, jornalistas e dirigentes compõem um coro cada vez mais voraz que devora seus ídolos ao primeiro sinal de dificuldade. A pressão psicológica tornou-se asfixiante.
Abel Ferreira, com sua experiência europeia, oferece uma perspectiva importante: o futebol precisa aceitar ser contrariado, questionado e desafiado sem entrar em colapso. Uma verdadeira saúde esportiva incluiria compreensão do processo, respeito pela construção de ideias e tolerância com momentos de adversidade.
Enquanto o Palmeiras segue sua trajetória, a reflexão do técnico permanece: é hora de o futebol brasileiro repensar sua cultura tóxica e redescobrir a capacidade de conviver com a imperfeição. Porque, sim, ninguém é invencível — e tudo bem ser contrariado.
Fonte: Folha Esporte
