Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Existe um vazio no futebol que não é fácil de explicar. Não é apenas a ausência de um jogador, mas sim a falta de um perfil que marcou época e inspirou milhões de crianças em quadras e campos de todo o Brasil.
Durante décadas, nas peladas de escolinhas e colégios espalhados pelo país, meninos tentavam reproduzir o que Zico fazia: a inteligência tática, a capacidade de criar do meio-campo, o passe decisivo para os companheiros e aquela coragem de sair jogando em direção ao gol. Era um modelo a ser seguido, um padrão de excelência que moldava gerações.
Hoje, quando olhamos para o Flamengo e para a seleção brasileira, sentimos a falta não apenas do ídolo rubro-negro, mas daquele tipo específico de atleta que ele representava. Um meio-campista pensante, criador, que entendia o jogo além das quatro linhas. Um jogador que não era apenas executor, mas arquiteto das jogadas.
O futebol evoluiu, sem dúvida. As táticas ficaram mais complexas, a velocidade aumentou, a preparação física é incomparável. Mas em algum lugar dessa transformação, perdemos a capacidade de desenvolver criadores de jogo com aquela envergadura. Onde estão os playmakers que conseguem mudar uma partida com um único toque de bola? Onde estão os cérebros do meio-campo?
Isso não é nostalgia infundada. É uma observação sobre como o futebol brasileiro deixou de investir em jogadores inteligentes e passistas para seguir tendências globais mais centradas em velocidade e potência. O resultado é um futebol mais previsível, menos criativo.
A geração que cresceu imitando Zico nos campos de terra chegou à idade adulta e percebeu que já não há espaço para esse tipo de jogador. E isso é uma perda muito maior do que qualquer aposentadoria poderia representar.
Fonte: Folha Esporte
