Foto: Gaspar Zaldo / Pexels
O tênis profissional enfrenta uma verdadeira epidemia de lesões. A mais recente prova disso foi a desistência de duas grandes promessas britânicas — Jack Draper e Emma Raducanu — do torneio de Wimbledon. Os casos não são isolados e refletem um problema maior que assola o circuito mundial.
A natureza implacável do tênis moderno tem cobrado um preço alto dos atletas. O calendário apertado, a intensidade dos treinos e as exigências físicas cada vez maiores transformaram lesões em uma questão de quando, não se. Grandes nomes enfrentam períodos de recuperação prolongados, afastando-se de competições cruciais e comprometendo suas carreiras.
Os números falam por si: disputas mais longas, velocidades de saque recordes e a competitividade feroz no top 10 obrigam os jogadores a operarem no limite de suas capacidades físicas. Sem mencionar os voos internacionais constantes, fusos horários diversos e apenas semanas de descanso real durante o ano inteiro.
O que mais preocupa especialistas é que nem sempre o repouso garante o retorno seguro. Muitos atletas enfrentam recidivas de lesões, criando um ciclo frustrante que prejudica seu desempenho e longevidade no esporte. A falta de tempo para recuperação adequada entre torneios é um fator determinante.
Questionamentos surgem sobre a sustentabilidade do calendário vigente. É possível manter esse ritmo alucinante sem colocar em risco gerações inteiras de tenistas? Federações, ATP e WTA precisam repensar a estrutura competitiva, talvez reduzindo o número de torneios ou ampliando períodos de pausa obrigatória.
Para Draper e Raducanu, a desistência em Wimbledon é decepcionante, mas pode representar o começo da consciência sobre o limite humano. O tênis é um esporte de excelência, mas a excelência não pode vir ao custo da saúde dos seus atletas.
Fonte: BBC Sport Tennis/Other
