Foto: Franco Monsalvo / Pexels
A forma como a Confederação Brasileira de Futebol conduziu o anúncio da convocação para a Copa do Mundo de 2026 não passou despercebida. O circo montado pela CBF lembrou muito o espetáculo que o técnico Lionel Scaloni protagonizou quando convocou a Argentina campeã em 2022.
Enquanto deveria ser um momento solene e direto — afinal, trata-se de uma decisão técnica que marca o início de uma campanha pela glória máxima do futebol — a entidade brasileira transformou o evento em um reality show que mais parecia um programa de auditório do que uma convocação oficial.
A comparação com a Argentina é pertinente. Scaloni, mesmo comandando uma seleção vitoriosa, soube manter certa parcimônia em seus anúncios. Porém, o estilo latino de dramatização sempre esteve presente. O que diferencia é a forma: enquanto a Argentina mantém a elegância de campeã, a CBF optou por um caminho bem mais teatral.
O incômodo gerado entre observadores e apaixonados por futebol revela uma verdade inconveniente: a organização brasileira frequentemente prioriza o espetáculo sobre a substância. Convocações deveriam ser momentos de técnica, decisões táticas e méritos desportivos. Em vez disso, transformam-se em oportunidades para criar buzz nas redes sociais e alimentar polêmicas desnecessárias.
A Seleção Brasileira enfrenta um momento delicado na sua história recente. Sem ganhar uma Copa há mais de duas décadas, o país clama por uma postura mais profissional, focada e séria por parte de quem deveria estar organizando a máquina do futebol nacional. Dramatizações desnecessárias, cenários exagerados e anúncios que parecem novelas televisivas afastam da verdadeira discussão: o futebol, a tática e a capacidade de competir pelo título.
O tempo dirá se essa convocação renderá frutos no Mundial. Mas uma coisa é certa: antes mesmo da bola rolar, o circo já começou — e não parece que a CBF está nem aí para as críticas.
Fonte: Folha Esporte
