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O empate frustrante contra Marrocos na estreia da Copa do Mundo reacendeu uma discussão antiga no futebol brasileiro: por que a Seleção não consegue mais formar meio-campistas de qualidade? A pergunta ganhou força após o Brasil sofrer para controlar o jogo pelo meio, permitindo que os marroquinos dominassem a posse de bola e criassem as principais oportunidades ofensivas.
A indignação é compreensível. Afinal, o Brasil é berço de lendários meias que marcaram época: Zé Maria, Gérson, Falcão, Dunga, Maracanã. Nomes que definiram gerações e conquistaram títulos expressivos. Ver a Seleção em dificuldade nessa posição gera espanto genuíno e faz muitos torcedores bradarem: “não se formam mais bons meias no Brasil”.
Mas a realidade é bem mais complexa que essa afirmação simplista. O fenômeno não é apenas um vazio na formação de jogadores, mas resultado de transformações profundas no futebol brasileiro nos últimos decades. A influência europeia superestimou sistemas táticos que priorizam laterais ofensivos e extremos rápidos, relegando os meia-campistas a papéis mais defensivos e menos criativos.
Além disso, houve mudanças estruturais nas categorias de base dos clubes. A profissionalização precoce, a emigração de talentos ainda jovens para o exterior e a falta de investimento em metodologias específicas de treinamento para a posição contribuíram para esse vácuo.
O debate merece profundidade histórica. Não é questão de o Brasil ter deixado de possuir DNA para formar meias criadores de jogo. É mais uma questão de escolhas, contexto econômico e adaptação (nem sempre bem-sucedida) a novos padrões europeus que, paradoxalmente, têm negligenciado o meio-campo criativo.
A Seleção precisará resolver essa equação rapidamente. Porque no futebol moderno, quem não domina o meio do campo raramente consegue dominar a partida.
Fonte: Trivela
