Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Quando pensamos em Copas do Mundo, logo vêm à mente os gols espetaculares, as assistências de gênio e aqueles momentos de pura magia ofensiva que ficam marcados para a eternidade. Mas há quem prefira contar a história da competição por um ângulo diferente: de baixo da trave.
Ficar posicionado sob uma meta de 7,32 metros de largura por 2,44 metros de altura — as dimensões oficiais estabelecidas pela Fifa — é uma responsabilidade que poucos estão dispostos a encarar. É preciso coragem, frieza mental e uma dose considerável de desprendimento. Afinal, é ali, naquele retângulo sagrado, que os melhores atacantes do planeta tentam furar a retranca com suas melhores armas.
A verdade é que muitas Copas foram decididas não apenas pelos gols marcados, mas pelos gols não sofridos. Pelé tinha seus companheiros defensivos para blindar a meta. Maradona tinha um Pumpido e depois um Goycoechea. Ronaldinho tinha um Marcos. Cada campeão mundial carregava nos ombros um guardião que raramente saía dos holofotes, mas que foi fundamental para o sucesso coletivo.
Nas últimas edições da competição, vimos goleiros como Manuel Neuer revolucionando a posição ao sair da área, Ederson trazendo familiaridade com os pés, e Courtois fazendo defesaços mirabolantes. Esses personagens, muitas vezes secundários nas narrativas convencionais, foram absolutamente centrais para as trajetórias de suas seleções.
É fácil celebrar quem marca. É mais fácil ainda contar histórias de dramas e tensões envolvendo atacantes. Mas existe uma beleza singular em reconhecer que por trás de cada grande defesa, de cada partida fechada, de cada final ganha por um placar mínimo, há um profissional que abraçou a solidão da posição mais ingrata do futebol.
A Copa do Mundo também é, sem dúvida, a história de quem não deixou a bola entrar.
Fonte: Folha Esporte
