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A Copa do Mundo 2026, que promete ser um espetáculo de futebol, também está atraindo atenções de natureza bem menos desejável. Autoridades mexicanas e analistas de segurança levantam um alerta preocupante: o torneio pode estar alimentando um aumento significativo no tráfico de drogas ilícitas no país.
Duas operações de grande porte realizadas recentemente no México resultaram na apreensão de quantidades volumosas de cocaína. O que chama atenção dos especialistas é o padrão dessas ações: uma delas ocorreu em um estado fronteiriço à Cidade do México, sugerindo que os cartéis estão intensificando a movimentação de entorpecentes em direção à capital.
A tese dos analistas é perspicaz: com a concentração de turistas, jornalistas, torcedores e profissionais do futebol que convergirão para o México durante o torneio, há uma expectativa clara de aumento na demanda por substâncias ilícitas. Os cartéis, operando com lógica de mercado típica do crime organizado, estão se preparando antecipadamente para capitalizar esse pico de consumo.
Essa realidade paralela revela uma face obscura dos grandes eventos esportivos globais. Enquanto os holofotes se concentram nos estádios, nas jogadas emocionantes e nas possíveis glórias das seleções, a máquina criminal funciona nos bastidores, aproveitando-se da mobilidade e da euforia que cercam a Copa.
O dilema para as autoridades mexicanas é complexo: garantir a segurança das fronteiras e das ruas enquanto milhões de pessoas transitam pelo país durante um mês de competições intensas. As apreensões recentes, longe de representarem uma vitória definitiva, podem ser apenas a ponta visível de um iceberg bem maior.
A Copa do Mundo, portanto, não é apenas uma festa do futebol. É também um termômetro das vulnerabilidades de um país na luta contra o crime organizado – um desafio que seguirá muito além da final do torneio.
Fonte: Folha Esporte
