Foto: Renan Braz / Pexels
Na seleção brasileira, existem costumes que atravessam gerações. Um deles, quase uma tradição entre os craques, é a famosa “última chegada ao treino”. Neymar consagrou essa marca como sua, eternizando-se na história como o atleta que sempre fecha a fila nos compromissos da Amarelinha. Mas essa hegemonia acaba de ser desafiada.
Vinicius Junior, estrela do Real Madrid e um dos principais nomes da seleção nesta Copa, inova ao não disputar esse título peculiar. Diferente de seus antecessores ilustres, o ponta-esquerda tem mantido pontualidade nos treinos e compromissos oficiais da delegação. Uma mudança de postura que reflete não apenas disciplina, mas também maturidade no trato com a responsabilidade de vestir a camisa verde e amarela.
A observação, feita por colunista da Folha, evidencia uma transformação geracional. Enquanto Neymar abraçou (e ainda abraça) certos hábitos considerados “de craque”, a nova leva de talentos segue outros parâmetros. Vinicius representa essa mentalidade profissional que prioriza a pontualidade e o comprometimento coletivo acima de excentricidades individuais.
O fenômeno levanta discussões interessantes sobre a cultura do futebol brasileiro. Será que estamos deixando para trás aquela ideia romântica de que craques têm o direito de chegar quando querem? Ou simplesmente a nova geração entendeu que sucesso internacional exige rigor e disciplina?
A verdade é que Vinicius Junior chegou ao topo do futebol mundial sendo profissional em cada detalhe. No Real Madrid, trabalha sob rígidos protocolos espanhóis. Na seleção, mantém a mesma postura. Isso não o torna menos craque — muito pelo contrário, o coloca em sintonia com os padrões que o levaram a ser um dos melhores do planeta.
Enquanto isso, Neymar continua sendo Neymar, com sua última chegada simbólica na história da Amarelinha.
Fonte: Folha Esporte
