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A polêmica envolvendo o uniforme de Alisson na partida contra a Escócia acendeu um debate esquecido nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol: até onde vai o poder das marcas patrocinadores nas decisões técnicas e administrativas da nossa Seleção?
Tudo começou com a especulação de que o goleiro entraria em campo com uma camisa vermelha, algo inusitado para os padrões da CBF. A informação correu nas redes sociais, gerando questionamentos sobre possíveis interferências do presidente Samir Xaud. A verdade, porém, revelou-se bem menos dramática e infinitamente mais reveladora sobre como funcionam as engrenagens por trás dos bastidores.
O uniforme que causou confusão não era vermelho, mas sim rosa — parte da coleção especial desenvolvida pela Jordan, marca que veste a Seleção. E aqui reside o ponto crucial: esse uniforme rosa só pode ser utilizado quando o Brasil joga de azul, respeitando a hierarquia cromática dos kits de jogo.
Esse episódio é emblemático de um problema muito maior. As grandes marcas de material esportivo não apenas fornecem equipamentos; elas praticamente desenham o calendário de uniformes da Seleção. As coleções são lançadas com datas específicas, combinações limitadas e regras rígidas de quando cada peça pode ser usada.
Para o torcedor comum, isso parece insignificante. Para dirigentes e comissão técnica, porém, transforma-se em um jogo de xadrez complexo onde as decisões esportivas compartilham espaço com as demandas comerciais.
A questão que fica é: até que ponto a CBF consegue ter autonomia real sobre aspectos que deveriam ser puramente técnicos? Quando um goleiro precisa mudar de uniforme não por necessidade tática, mas porque a marca determinou uma ordem cromática, algo está errado no sistema.
É hora de discutir se os interesses do marketing devem continuar ditando as regras do jogo na maior confederação de futebol do país.
Fonte: Folha Esporte
