Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Que Carlo Ancelotti tem ligações profundas com o Brasil, isso já é conhecimento de quem acompanha futebol. Mas será que o treinador italiano teria tanto direito ao título de “brasiliano” quanto Sebastião Lazaroni teve naquele memorável comercial do Fiat Uno de 1990?
Para quem não se lembra, o anúncio virou fenômeno cultural na publicidade brasileira. A cena mostrava Lazaroni, na época técnico da Seleção, sendo abordado por um policial em Roma. O detalhe: apresentando seus documentos, o técnico argumentava ser brasileiro apesar do sobrenome que remetia à Itália. Era uma brincadeira genial que capturava o espírito de humor dos brasileiros e a capacidade de nos reinventar.
Ancelotti, claro, nunca precisaria de um comercial assim. Mas a reflexão é interessante: quantos estrangeiros que trabalham no Brasil acabam absorvendo tanto da cultura local que se tornam praticamente brasileiros? O técnico italiano passou por clubes gigantes como Real Madrid e Bayern de Munique, mas suas passagens pelo Brasil — especialmente no Everton e em outros projetos — deixaram marcas em sua carreira.
A questão vai além do futebol. É sobre como profissionais internacionais se adaptam, aprendem nossos costumes, entendem a peculiaridade do futebol tupiniquim e, de certa forma, ganham um pouco de nossa essência. Ancelotti, com sua elegância e conhecimento tático refinado, conquistou a admiração de torcidas brasileiras não apenas por resultados, mas pela forma respeitosa como conduziu seus trabalhos.
Talvez não precisemos de documentos ou comerciais criativos para reconhecer isso. Basta observar como alguns treinadores e jogadores estrangeiros se tornam parte da história do nosso futebol, deixando legados que transcendem nacionalidades. Nesse sentido, Ancelotti — e tantos outros — já conquistou seu lugar na brasilidade do esporte.
Fonte: Folha Esporte
