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O tênis se apresenta como um esporte modelo quando o assunto é igualdade de gênero. Grand Slams com premiações igualitárias, torneios com paridade nas transmissões e atletas femininas conquistando destaque global. Mas há um incômodo detalhe que não encaixa nesse discurso progressista: a quantidade alarmantemente baixa de mulheres atuando como técnicas.
A contradição é gritante. Enquanto Iga Swiatek, Aryna Sabalenka e outras potências do esporte ganham prêmios milionários e enchem estádios, a quantidade de treinadoras profissionais segue ridicularmente inferior à de homens nos bancos de treinamento. Ego, preconceitos enraizados e estruturas antiquadas continuam barrando a ascensão feminina em posições de liderança técnica.
O cenário revela camadas complexas de um problema que vai além de simples números. Mulheres que almejam se tornar técnicas enfrentam ceticismo, questionamentos sobre sua capacidade tática e a desconfortável realidade de operar em ambientes ainda predominantemente masculinos. Há também a questão do reconhecimento: quantos nomes de treinadoras você consegue lembrar comparado aos homens da profissão?
Felizmente, organizações ligadas ao tênis internacional começam a tomar medidas concretas. Programas de mentoria, incentivos para formação de treinadoras, e maior visibilidade para profissionais femininas ganham força. A mudança é lenta, mas perceptível.
O esporte que prega igualdade tem o dever moral de praticá-la em todas as esferas. As mulheres provaram sua competência dentro de quadra; agora precisam das mesmas oportunidades fora dela. O tênis só alcançará verdadeira paridade quando a presença de técnicas nas laterais das quadras for tão comum quanto a de atletas buscando títulos. Afinal, não faz sentido celebrar a força das jogadoras se continuarmos invisibilizando quem as treina.
Fonte: BBC Sport Tennis
