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Tem coisa mais brasileira do que usar a Copa do Mundo como desculpa de ouro para ficar longe da malhação? Pois é. A cada quatro anos, quando o torneio chega, aquele espírito fraco que mora em cada um de nós encontra a justificativa ideal para largar a corrida, o funcional, a yoga e qualquer outro compromisso físico que tínhamos marcado.
A verdade é que a Copa estabelece uma espécie de acordo tácito com os brasileiros: você abandona seus treinos, neglicencia a saúde e fica plantado na frente da tela, e em troca ganha o direito de se sentir bem consigo mesmo. Genial, não?
O que seria uma simples semana sem atividade física vira semanas inteiras de imobilismo justificado. A programação televisiva vira nossa melhor aliada. Enquanto o jogo não começa, rolam aquelas mesas-redondas clássicas, debates antigos e discussões intermináveis sobre escalações e estratégias. E pronto: lá se vai mais uma noite de sofá.
É como se a Copa criasse uma relação de cumplicidade com a gente. Sabemos que estamos errando, sabemos que seria melhor manter a rotina de exercícios, mas aquele apelo de estar junto, conectado, vibrando a cada lance… bem, isso vale mais que qualquer série de abdominais.
O pior é que, quando o torneio termina, vem aquele arrependimento clássico. Aqueles quilinhos a mais que não saem da balança, aquela disposição que sumiu. Mas aí? Já estamos pensando no próximo grande evento para usar como desculpa.
A Copa do Mundo e o brasileiro têm uma relação de longo prazo. E enquanto isso, nossos treinos ficam em stand-by, nossa academia cobra pela falta de comparecimento, e nós continuamos ali, mesa-redonda após mesa-redonda, esperando pelo próximo gol.
Spoiler: próxima edição será exatamente igual.
Fonte: Folha Esporte
