Foto: Almuntadhar Faris / Pexels
O técnico do Paraguai, Gustavo Alfaro, voltou a fazer jus à sua reputação de treinador sem filtros. Em declaração polêmica neste domingo, o comandante guarani atacou frontalmente a cúpula empresarial do futebol mundial, acusando-a de transformar a Copa do Mundo em um balcão de negócios desconectado de suas raízes genuínas.
Na mira de Alfaro está, principalmente, a política de preços de ingressos para os jogos da competição. O técnico não poupou críticas, apontando que os valores cobrados funcionam como uma barreira quase intransponível para o torcedor comum — justamente aquele que mantém viva a paixão pelo futebol nas ruas, nas várzeas e nos bairros pobres.
“O futebol nasceu na simplicidade, nas comunidades humildes. Hoje, a elite empresarial quer transformá-lo em um produto de luxo”, foi o tom adotado por Alfaro em suas declarações, que ecoam uma crítica cada vez mais comum entre personalidades do esporte.
O comandante paraguaio também questionou outras medidas implementadas na Copa, incluindo as pausas para hidratação durante os jogos. Segundo Alfaro, estas interrupções representam mais uma tentativa de adequar o espetáculo aos interesses comerciais — incluindo janelas para propagandas — do que uma real preocupação com o bem-estar dos atletas.
As críticas de Alfaro ganham peso considerando sua trajetória como técnico de equipes que enfrentam limitações orçamentárias. Para ele, a Copa do Mundo deveria ser acessível a todos, não apenas aos que possuem poder de compra elevado.
O posicionamento do treinador paraguaio reflete uma tensão crescente no futebol moderno: a busca pela rentabilidade máxima versus a preservação da essência democrática que sempre caracterizou o esporte. Enquanto as confederações e organizadores argumentam que preços altos garantem infraestrutura de qualidade, críticos como Alfaro apontam que isso afasta o verdadeiro coração do futebol dos estádios.
Fonte: Folha Esporte
