Foto: Franco Monsalvo / Pexels
O debate sobre a qualidade da Seleção Brasileira ganhou novo capítulo. Enquanto o Brasil melhorou sua apresentação na goleada de 3 a 0 contra o Haiti, na segunda rodada da Copa do Mundo, cresce entre torcedores e comentaristas a velha tese de que jogar na Europa prejudica a essência dos nossos craques.
Acontece que essa narrativa está mais furada do que parece. Tim Vickery, colunista experiente e respeitado, disparou essa crítica durante o programa “Copa em Contexto” da Trivela. Ao lado de Allan Simon, o analista inglês desfez um argumento que até gente inteligente repete sem pensar duas vezes.
O raciocínio é simples: se o futebol europeu realmente tirasse a criatividade e a liberdade dos jogadores, a Argentina estaria arrasada. Mas não está. Muito pelo contrário. A seleção campeã mundial vê praticamente toda sua base atuando nos melhores campeonatos da Europa, e mesmo assim consegue manter uma identidade clara, ofensiva e envolvente.
Messi, Dybala, Enzo Fernández, Julián Álvarez e companhia jogam num futebol muito mais tático e estruturado que o dos anos 90. Mesmo assim, conseguem expressar individualidade, criatividade e aquele toque de magia que diferencia o futebol sul-americano.
O ponto é que culpar a Europa pela perda de essência é simplificar demais um problema bem mais complexo. A qualidade técnica não desaparece porque o jogador cruza o Atlântico. O que muda é o contexto, a metodologia de trabalho e, claro, o nível de competição.
A verdadeira questão não é onde nossos jogadores atuam, mas como a comissão técnica consegue aproveitá-los. Carlo Ancelotti e sua equipe têm o desafio de harmonizar talentos acostumados a diferentes realidades táteis. E essa equação, bem ou mal resolvida, é que define o sucesso ou fracasso da Seleção.
Portanto, antes de apontar dedos para a Europa, talvez seja hora de olhar para dentro de casa e perguntar: estamos extraindo o melhor desses jogadores ou apenas os culpando pelo que não conseguimos fazer?
Fonte: Trivela
