Foto: Ligia Camargo / Pexels
O futebol tem essa capacidade peculiar de unir pessoas de origens diferentes em torno de um objetivo comum. Na noite de sexta-feira (19), essa realidade ficou evidente no bairro do Glicério, em São Paulo, onde a comunidade haitiana se reuniu com expectativa renovada para acompanhar o confronto entre Brasil e Haiti.
Antes mesmo da bola rolar, o clima entre os haitianos presentes era de esperança e confiança no desempenho da seleção canarinha. Apesar da decepção pela eliminação do Haiti na competição, a maioria da comunidade decidiu transferir sua torcida para o time brasileiro — demonstrando a forma como o esporte consegue transcender as rivalidades naturais entre nações.
Esse comportamento reflete um fenômeno comum entre imigrantes e descendentes em terras brasileiras: a adoção do Brasil como segunda pátria, especialmente quando se trata de futebol. A seleção se torna, muitas vezes, um símbolo de integração e pertencimento ao país que os acolheu.
Porém, como todo grupo, nem todos pensam da mesma forma. Enquanto a grande maioria se posicionava favorável ao Brasil, havia aquela exceção que mantinha sua lealdade original — uma atitude que também merece respeito, afinal, a identidade nacional é um sentimento profundo e intransferível.
O jogo representa mais do que três pontos na tabela ou uma chance de vingança competitiva. Para muitas famílias haitianas, é a oportunidade de vivenciar a paixão pelo futebol em um ambiente de diversidade e esperança. É o futebol cumprindo seu verdadeiro papel: unir pessoas, criar histórias e tecer laços que atravessam oceanos e fronteiras.
A Brasil x Haiti da Copa América 2026 será lembrada não apenas pelas jogadas e gols, mas por esses momentos humanos que acontecem nas ruas, nos bairros, onde o esporte de verdade pulsa nas veias do povo.
Fonte: Folha Esporte
